nada tenho em mãos que já não venha sangrado na memória desde as liras e os mármores da Grécia nada tenho em mãos que não seja humano e que não se escreva com terra no meu sangue que não é inverno como minhas mãos seriam que não tem o bronze das horas passadas em luas como minhas luas se quedariam nada tenho em mãos mesmo os dias que os ferros dão às ondas em sacrifícios navega memória deste nome nas marés quando navegam nessas águas sereias iguais iguais no líquido de seus nomes outras marés porque levam em cada onda temporais nada tens em tuas mãos que não diga corpo ao teu navio são horas e demasias o que levas nestes pássaros pássaros que voarão ainda num poema sem nuvens sem metros que lhe imponham um rochedo para pousar é teu o sangue é teu o dia é tua hora o que vemos quando a nau salina de teu rosto principia nada tens em tuas mãos senão oceanos de têmpera sem aços sal e terras oceanos sangrados com o mesmo sangue que era memória levas aves nas ondas que ensinam aos ventos as três horas da tarde em que virás e baixo o sol tua sombra inteira sobre os edifícios as cidades em teu nome elevarão os portais com tuas mãos cânticos serão ouvidos nos oceanos quando virás com tuas águas quando soubermos de ti e as pontes se elevarem será amanhã porque tens o tempo em teus braços e o tempo é memória dessangrada mareja em ti maré de ti o mar tua maresia oceano sem barcos que governa os ventos |
domingo, 9 de outubro de 2011
Calipso de Pietro Wagner, Recife
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