segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Por Jairo Lima

ECCE FILIUS TUUS
(então) Afastei-me de ti e vi com olhos banidos o rastro de tua nave
quando já não mais te vi vi a cal viva da tarde
e assim vivi meu exílio entre paredes lembradas dos teus suores
e assim vivi setembros dilacerados de ventos
eusemti, eusemnave
em tua casa limpa os armários acordam panos
e indagam do teu agora
do teu agora lontano
a casa vê em seus cantos
o veio azul transpirando
a casa vê seus perfumes
que o vento vai confiscando
a casa pensa suas nuvens
em suas cores e tramas
*penélope fia e desfia
uma memória de ramas*
*penfi e desfi merama*

*noite e dia
notedi
ua merama*
é noite nos teus armários e nas tuas janelas e os teus ventos e os teus vinhos se
derramam

NAVEGOSCILANTE TARDE
em que te penso atado aos ventos terrais que me longe de ti
arena branca de algas cremadas
eu pousada na sílaba inicial das águas
vejo na nuvem fraturada de trovões
o teu oráculo em fragmentos que o motor das vagas Afasta de mim
vejo-te claridade assomada em fios d'água
revelando-se nos grãos da nuvem macerada
vejo-te máscara imposta aos ritos de minha carne
espraiada sobre a várzea do meu sangue
dizendo-me lunas lunas navegantes pupilas úmidas voantes
tarde inavegada
vejo-te em tarde caiada ofuscante detida nos sulcos de memória encravada
pálida estrela adiada, vejo-te hoje em clamor de hinos invadindo a nave dos meus olhos
de tua luz sou campo e casa e ofereço a rota do meu sangue para que esta hora tua seja
celebrada em harpas

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