terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Onde acharei lugar tão apartado, de Luiz de Camões

Onde acharei lugar tão apartado

E tão isento em tudo da ventura,

Que, não digo eu de humana criatura,

Mas nem de feras seja frequentado?



Algum bosque medonho e carregado,

Ou selva solitária, triste e escura,

Sem fonte clara ou plácida verdura,

Enfim, lugar conforme a meu cuidado?



Porque ali, nas entranhas dos penedos,

Em vida morto, sepultado em vida,

Me queixe copiosa e livremente;



Que, pois a minha pena é sem medida,

Ali triste serei em dias ledos

E dias tristes me farão contente.






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