sábado, 5 de novembro de 2011

Soneto 23, De William Shakespeare

Como no palco o ator que é imperfeito

 Faz mal o seu papel só por temor,

 Ou quem, por ter repleto de ódio o peito

 Vê o coração quebrar-se num tremor,



Em mim, por timidez, fica omitido

 O rito mais solene da paixão;

 E o meu amor eu vejo enfraquecido,

 Vergado pela própria dimensão.



Seja meu livro então minha eloqüência,

 Arauto mudo do que diz meu peito,

 Que implora amor e busca recompensa



Mais que a língua que mais o tenha feito.

 Saiba ler o que escreve o amor calado:

 Ouvir com os olhos é do amor o fado.

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