sábado, 5 de novembro de 2011

Ópera Ruslan e Liudmila: uma feitiçaria com elementos de erotismo

No dia 2 de novembro o público pôde assistir à primeira estreia no palco histórico do teatro Bolchoi de Moscou, aberto há poucos dias depois da reconstrução – reforma que levou seis anos. Foi apresentada a ópera Ruslan e Liudmila do compositor clássico russo Mikhail Glinka.

Jamais a preparação de uma estreia no teatro Bolchoi decorreu num ambiente tão secreto! Nenhum comentário dos participantes do espetáculo, nada de representantes da imprensa no ensaio geral. No entanto, pode-se falar muita coisa sobre a ópera Ruslan e Liudmila.

Para os russos este espetáculo é antes um dos contos de fadas poéticos mais conhecidos e amados, do que uma ópera. Aleksandr Puchkin escreveu esta obra quando era ainda bem jovem e não tinha fama do maior poeta da Rússia e de vez em quando dava-se ao luxo de entregar-se a fantasias poéticas frívolas. Por exemplo, o fulcro do enredo de Ruslan e Liudmila é o rapto da noiva no momento de casamento, praticamente no limiar do dormitório. E depois vem sua busca, acompanhada de aventuras, as mais diversas tentações dos heróis, tramas dos malfeitores e apoio das forças do bem. Mikhail Glinka que pôs este enredo em música, criou – numa certa medida inesperadamente para si próprio – uma ópera magnífica que durante um século e meio foi encenada cerca de mil vezes somente no teatro Bolchoi.

A encenação do novo espetáculo está a cargo de um conjunto de dois mestres, que gozam agora de uma procura excepcional. O diretor teatral e cenógrafo Dmitri Tcherniakov é adversário ativo da rotina. Ele já trabalhou no Bolchoi e todas suas obras em Moscou sempre provocaram escândalos. Quanto ao dirigente musical Vladimir Yurovksi, ele é regente convidado do teatro Bolchoi. Este tandem está certo de que a ópera sobre o guerreiro forte Ruslan e sua bem-amada Liudmila, filha de um príncipe, oferece possibilidades ilimitadas para fantasias teatrais modernas. Dmitri Tcherniakov não desvendou os segredos mas apenas deu a entender na véspera da estreita...
Creio que esta história pode ser exposta em teatros de diversos tipos. É possível que um dos atos difira do anterior, como se fosse um outro espetáculo. Haverá o ambiente de contos de fadas mas não muito. O espetáculo vai narrar certas coisas de uma maneira bastante fascinante – às vezes com muita alegria, às vezes assustando um pouco o público.
Quanto ao dirigente musical Vladimir Yurovski, este chegou a fazer uma advertência antes da estreia.
O que apresentamos é um conto de fadas para os adultos que, por vezes, é bastante assustador. Por isso, não levem crianças para este espetáculo. É um conselho da pessoa que tem dois filhos. Levei para os ensaios a minha filha de 16 anos, mas quanto a crianças menores de 16 anos, não recomendo que assistam a este espetáculo – é medonho demais.


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