Neste texto o objetivo é trabalhar com o livro Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, de forma a facilitar a compreensão da formação étnica no período colonial brasileiro. Gilberto Freyre, através desse livro, procura fortalecer a identidade do brasileiro, desmistificando alguns conceitos estabelecidos no imaginário social da população brasileira, imaginário este que tem revelado culturas singulares do europeu, do africano e do indígena.
Mas Casa-Grande & Senzala de Gilberto Freyre, além de ser um ensaio sobre a identidade nacional brasileira é uma obra literária que descreve a vida colonial, e é uma obra fundamental para entendermos a formação étnica da nação brasileira, ele a define como nação mestiça, fruto da miscigenação do português com o índio e o negro. Há nele um elemento essencial de história do quotidiano. Freyre descreve com uma infinita riqueza de pormenores alguns aspectos da vida colonial. Sua preocupação básica é com o sexo e a miscigenação, mas ele trata também da vida familiar, da alimentação, da educação, das crenças relacionadas à educação das crianças, e de uma infinidade de outros temas, do indígena, do africano e do português.
Gilberto Freyre aborda o papel dos indígenas na formação social brasileira e permite caracterizar a miscigenação na sociedade brasileira, seja essa miscigenação ética, religiosa, política ou econômica. Porém, no caso do indígena, houve uma “intoxicação sexual”, já que a forma de agir do indígena tornava-se um grande estimulo sexual para o português. Com isso observa-se um grande contato de miscigenação entre o europeu e o indígena, caracterizando também uma fusão de culturas. Mesmo tendo a cultura do europeu se sobrepondo ao indígena, observam-se uma adaptação de assimilação de cultura de ambas as partes.
A idéia geral é simples: os homens índios foram inúteis, porque, provindos de povo nômade, e não tendo hábito do trabalho, que era realizado pelas mulheres, não se sujeitaram ou, melhor, não tiveram competência para serem escravos; já as mulheres índias foram muito úteis como procriadoras caboclas. Oferecidas, “de pernas abertas” para o colonizador português, supriram o grande problema da colonização: a falta de mulheres brancas. Assim, a mulher índia será à base da família brasileira. Freyre examina com grande inteligência e riqueza de informações do escravo na vida sexual e de família dos brasileiros. A miscigenação continua central, uma tese interessante é a do caráter de seleção eugênica tomada por ela: os senhores escolhiam as escravas mais sadias e mais bonitas para cruzarem. Os padres, exceto os jesuítas, também procriaram à vontade, produzindo muitas vezes uma elite mulata: observa-se que a interação cultural entre o português e o negro faz surgir à concatenação de ambos os povos.
E com a necessidade de produção agrícola e com a dificuldade cada vez maior de escravizar o homem indígena, por seus costumes e pelas missões jesuítas, a saída vem de além mar, é importar a mão de obra escrava da áfrica, o que já era feito com sucesso em outras colônias portuguesas, e isto traz o terceiro elemento para a formação étnica brasileira.
O negro no Brasil é utilizado na agricultura, onde anteriormente o indígena tinha sido utilizado sem sucesso, e neste local o negro trará grandes resultados, já as mulheres negras, e em alguns casos o homem negro, também entrou na casa grande para trabalhar, e com isso o negro também passará a dar sua contribuição na miscigenação em terras brasileiras, tendo relações sexuais não apenas entre si, mais também com os brancos e indígenas.
Neste momento temos no Brasil a base racial de nossa formação racial e religiosa, e temos que ter cuidados para não nos prendermos a dizer que um filho de branco com índio forma um caboclo ou mameluco, que um branco com negro surge os mulatos e que dos negros com os índios nascem os cafusos, temos que ter este conhecimento, mas entendendo que da formação da sociedade colonial, é que traz para nossa sociedade
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