quarta-feira, 9 de novembro de 2011

De Maiakovski: Fragmentos

(tradução:  Augusto de Campos)
 

Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas

os dedos

               despedaçados um a um extraio

assim tira a sorte enquanto

                                       no ar de maio

caem as pétalas das margaridas

Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e

que a prata dos anos tinja seu perdão

                                                      penso

e espero que eu jamais alcance

a impudente idade do bom senso

  

Passa da uma

                     você deve estar na cama

Você talvez

                 sinta o mesmo no seu quarto

Não tenho pressa

                          Para que acordar-te

com o

         relâmpago

                        de mais um telegrama

  

O mar se vai

o mar de sono se esvai

Como se diz: o caso está enterrado

a canoa do amor se quebrou no quotidiano

Estamos quites

Inútil o apanhado

da mútua dor mútua quota de dano

  

Passa de uma você deve estar na cama

À noite a Via Láctea é um Oka de prata

Não tenho pressa para que acordar-te

com relâmpago de mais um telegrama

como se diz o caso está enterrado

a canoa do amor se quebrou no quotidiano

Estamos quites inútil o apanhado

da mútua do mútua quota de dano

Vê como tudo agora emudeceu

Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu

em horas como esta eu me ergo e converso

com os séculos a história do universo


 
Sei o puldo das palavras a sirene das palavras

Não as que se aplaudem do alto dos teatros

Mas as que arrancam caixões da treva

e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro

Às vezes as relegam inauditas inéditas

Mas a palavra galopa com a cilha tensa

ressoa os séculos e os trens rastejam

para lamber as mãos calosas da poesia

Sei o pulso das palavras parecem fumaça

Pétalas caídas sob o calcanhar da dança

Mas o homem com lábios alma carcaça.




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